Sábado, 19 de Abril de 2014
História da Diocese
Algumas características históricas do “rosto” da Diocese de São Luís de Montes Belos


Mapa da Diocese de São Luís de Montes Belos

A Diocese de São Luís de Montes Belos é constituída pelo povo de Deus nela existente. Como qualquer povo, ela é localizada geo-graficamente e possui suas características marcantes a partir de sua história local, das tradições culturais, das condições sociais, econômicas e religiosas, bem como a partir das respostas organizativas e pastorais que foram sendo dadas aos desafios. Brevemente queremos discorrer sobre esses aspectos para conhecer melhor e amar o “rosto” de nossa igreja particular.


1. Aspectos culturais e religiosos

O povo da Diocese de São Luís de Montes Belos é caracterizado por suas raízes culturais de cunho agrário, com apego a suas tradições folclóricas e religiosas. Destacam-se as festas juninas e as folias de Reis mineira e baiana (fruto das migrações). Os laços familiares são muito fortes, beirando ao “egoísmo familiar” e com certa resistência ao aspecto social como engajamento transformador . Voltado para o rural se configurou a piedade popular e o devocionismo aos santos (sobretudo São Sebastião, protetor agrário). A religiosidade popular é marcante com rezas de terço, devoção aos santos protetores, caravanas do Divino Pai Eterno e de Nossa Senhora Aparecida. As festas religiosas ainda dão o ritmo de grande parte da vida social e das relações sociais mais amplas (compadres, comadres, etc.).


2. Aspectos econômicos e sociais marcantes

O povo dessa região do oeste goiano em sua maioria é composto por gente simples, pouca instrução e bastante pobreza. Em contraste, há um grupo minoritário de fazendeiros donos de muitas terras e pecuaristas que acabaram por forçar um êxodo rural desorganizado. O conflito social pelo campo é forte. Entre acampados e assentados pela reforma agrária conta-se mais de dez mil famílias.

O desenvolvimento industrial é mínimo. A maioria dos municípios não consegue oferecer perspectivas de crescimento e de renda. Os poucos empregos são oferecidos pelas prefeituras, pelos comerciantes e pelo setor de serviço. O subemprego é crescente, com focos de trabalho escravo e infantil. Nessa situação, crescem a violência, o banditismo, a exploração sexual e a dependência química (álcool e drogas). Com o avanço e melhoramento das estradas (asfaltadas) aumentou a velocidade da comunicação de bens, mercadorias e favoreceu a migração para as cidades maiores e para a capital.

3. Aspectos históricos da Diocese e sua Pastoral

O início da Evangelização dos territórios onde se encontra hoje a Diocese de São Luís de Montes Belos, nos anos de 1950 e 1958, está ligado aos trabalhos desenvolvidos pelos padres redentoristas, dominicanos e agostinianos. No final da década de 1950 chegaram ao Brasil os missionários holandeses da Congregação Passionista. Por indicação do Núncio Apostólico Dom Armando Lombardi, os padres escolheram o Estado de Goiás. Ao saber que os Passionista buscavam regiões no interior para o trabalho de Evangelização, as dioceses de Jataí e Goiás e a Arquidiocese de Goiânia ofereceram paróquias que foram confiadas aos cuidados dos padres holandeses. Foi uma vasta região, a mesma que hoje forma o território diocesano. Com a constituição da Prelazia de São Luís de Montes Belos (aos 25 de novembro de 1961 com a Bula Pontifícia “Cum Venerabilis”) se começou um trabalho de evangelização de forma mais organizada, sobretudo com o seu primeiro bispo Dom Stanislau van Melis (sagrado em 02 de fevereiro de 1963). Mas foi a partir de 1968 que houve tentativas mais objetivas de organizar os vários setores da Pastoral com a criação de comissões de trabalhos (catequese, serviço social, seminário diocesano e juventude).

Nos anos de 1970 a 1980 o marco foi a atividade intensa de cursos de catequese, curso de cantos, Cursilhos de Cristandade (com suas Escolinhas e Ultréias), encontros de jovens e assembléias diocesanas. Alguns traços interessantes de nosso povo foram detectados pelos participantes da primeira assembléia (de 17 de julho de 1973), onde foram estudadas as realidades concretas de nossa Igreja: a) A nossa Igreja, embora num esforço de renovação, é considerada tradicional;b) Há um desnível cultural entre as lideranças e o povo, por ser a maioria dos padres e religiosas estrangeiros; c) Há necessidade de descobrir uma linha de pastoral própria da Prelazia; d) A grande esperança da Prelazia são os leigos, especialmente atuando nos Cursilhos e na Catequese; e) Somos uma Igreja em formação que está se preparando para a sua tarefa de ser presença de salvação para esta porção do povo de Deus. A partir da segunda assembléia da Prelazia temos o esforço de estudar três pontos fundamentais: a religiosidade do povo, as causas dessa religiosidade popular e qual o tipo de Pastoral adequada. Em meados de 1979, o bispo prelado Dom Stanislau escreveu ao Vaticano três pedidos: solicitou que o papa elevasse a Prelazia para a categoria de Diocese; apresentou o projeto “Igreja-irmã” entre a Prelazia e a Diocese de São Carlos-SP e pediu um bispo auxiliar para colaborar na evangelização. Os pedidos foram atendidos pelo papa João Paulo II. Em 29 de dezembro o pontífice nomeou bispo auxiliar Dom Rubens Augusto de Souza Espínola da Diocese de São Carlos. O papa João Paulo II elevou a Prelazia à categoria de Diocese (em 02 de setembro de 1981). E no dia 25 de novembro do mesmo ano, na catedral, realizou-se a cerimônia de instalação da Diocese de São Luís de Montes Belos pela Bula “Cum Ecclesiae”, data da comemoração do vigésimo aniversário da Prelazia. Com Dom Rubens na coordenação de pastoral, animaram os trabalhos. A 12ª assembléia (de setembro de 1981) assume o tema “Vocação”. No final da Assembléia, Dom Stanislau anunciou a decisão de dividir a Diocese em cinco Regiões Pastorais. Essa divisão tinha por finalidade dar uma resposta mais adequada na animação da Diocese, tanto no que se referia à pastoral, quanto ao atendi- mento religioso e sacramental. Em 1986, com seus 75 anos, Dom Stanislau encaminha o pedido de renúncia à Santa Sé, conforme as normas do Direito Canônico. Em 1987 Dom Washington Cruz é nomeado o novo bispo da Diocese de São Luís de Montes Belos. Para organizar e facilitar o trabalho o novo bispo se empenhou na criação dos organismos de comunhão e participação (Colégio dos Consultores, Conselho Presbiteral, Conselho Diocesano de Pastoral, Conselho Diocesano de Administração) em nível diocesano e orientou a criação dos conselhos paro- quiais. Também fomentou a vinda de congregações femininas para auxiliar na organização das paróquias sem presbíteros residentes, bem como deu maior espaço aos movimentos de espiritualidade cristã (RCC, ECC e MCC). Procurou dar impulsão à pastoral familiar através de vários encontros de pastorais com essa temática.Também a formação dos leigos foi dinamizada através da Escolade Teologia Pastoral (ESTEP , criada em 1995) e da Escola Social “João Paulo II” direcionada para a formação de líderes políticos. Aos poucos a preocupação pelo trabalho vocacional ganha mais consistência através da reabertura dos seminários diocesanos. Após a transferência de Dom Washington para a Arquidiocese de Goiânia, é nomeado Dom Carmelo Scampa (30 de outubro de 2002) como novo bispo diocesano. Em 05 de janeiro de 2003, Dom Carmelo é ordenado bispo na catedral de São Luís de Montes Belos e toma posse. No mesmo dia ele lança seu programa de pastoral para consolidar uma Igreja fundada na espiritualidade diocesana, na escuta da Palavra e que seja profética e samaritana. O novo bispo não tardou em dar impulso à formação. Apresentou propostas aos Conselhos de Presbíteros e de Pastoral para a criação das Escolas Bíblicas Diocesanas e lançou o projeto das Santas Missões Populares. Percebendo o desafio da escassez de presbíteros, Dom Carmelo se empenhou com toda a energia no fortalecimento da Pastoral Vocacional e na construção dos Seminários Diocesanos. Com seu estilo de pastor buscou proximidade com o povo para conhecer seus problemas e angústias através das visitas pastorais muito bem programadas. 4. Algumas características eclesiais mais fortes Como vimos, a influência dos padres missionários holandeses foi marcante. Devemos a eles a organização inicial da Diocese de São Luís de Montes Belos, sobretudo no que se refere às construções prediais. Inicialmente não houve preocupação estruturada de trabalho pelas vocações. O trabalho com a catequese, a família e a juventude sempre esteve presente. Nos anos 1970 a 1980 houve uma forte presença profética da Igreja no social. Após os anos de 1990, com o fortalecimento dos movimentos de espiritualidade, fortaleceu-se ainda mais a espiritualidade intimista, pouco aberta ao compromisso social transformador . O trabalho com a juventude foi um marco com a chegada do padre Florisvaldo na década de 80. 5. Histórico das pastorais que mais se destacaram Algumas frentes de trabalho evangelizador se destacaram em nossa Diocese de São Luís de Montes Belos e, de alguma forma, contribuíram para o delineamento do nosso rosto diocesano. Destacaremos algumas. a) Pastoral da Juventude Determinante para a história de nossa Diocese frente à juventude foi a chegada do jovem Pe. Florisvaldo Saurin Orlando, CP (Pe. Floris, como era mais conhecido), no dia 29 de dezembro de 1980. Jovem e com qualidades intelectuais e organizativas, amante da juventude, veio especialmente para trabalhar com os jovens. Antes já havia certo trabalho com a juventude, mas com o Pe. Floris temos uma forte arrancada. Começou visitando o que restava dos grupos de jovens. O ano de 1981 foi de contato com a realidade e reflexão crítica em nível de coordenação. Algumas propostas e caminhos para o futuro puderam ser apresentados aos coordenadores de grupos em treinamento realizado nos dias 24 a 25 de dezembro de 1981. As propostas de programação incluíam cinco pontos. Primeiro: criação de uma estrutura mínima de sustentação da Pastoral dos Jovens em sua reorganização em todos os níveis; segundo: criação e acompanhamento de grupos de base de jovens nas paróquias, visando sua conscientização e participação ativa na vida eclesial e na transformação da sociedade; terceiro: formação e aperfeiçoamento de líderes, coordenadores e assessores para os níveis vários (grupal, paroquial e diocesano); quarto: integração e intercâmbio entre grupos em nível paroquial, regional e diocesano; quinto: “Anúncio” à juventude em geral com a proposta de engajamento em grupos de base. Essas propostas foram estudadas e aceitas na primeira Assembléia da Pastoral da Juventude (12 a 14 de março de 1982) após o estudo do projeto “Primeiro Plano Diocesano da PJ para 1982- 1983”, colocando, decididamente três prioridades: criação de grupos de base em todas as paróquias, formação de líderes e coordenadores e a criação de uma coordenação diocesana da PJ. Em 26 de junho de 1982 aconteceu o 1º Encontrão de Jovens com 600 participantes dando novo impulso à Pastoral da Juventude em nossa Diocese. Seguiram-se as Assembléias da PJ todos os anos. E já em 1983 houve a tentativa de iniciar a Pastoral da Juventude Rural, mas sem êxito. A PJR só começou a funcionar mesmo a partir de 1990. Em novembro de 1981, foi criado o Boletim Diocesano da PJ, primeiro com o nome de “Recado Jovem”, depois chamou-se “Força Jovem” e acabou se tornando o “Informativo da PJ” que circularia até 1996. O Encontrão de Jovens realizado no dia da festa da Trindade de 1984 superou todas as expectativas. Mais de 900 jovens compareceram. O ponto alto do Encontrão foi a grande caminhada com o tema “Para que todos tenham vida”, culminando com a celebração eucarística no interior da catedral, presidida por Dom Rubens e concelebrada pelo Pe. Floris. É preciso reconhecer que o trabalho pela juventude levado a peito pelo Pe. Floris teve um dinamismo próprio e marcou presença em todas as paróquias, colocando a Diocese de São Luís de Montes Belos em destaque nacional. O trabalho com a juventude, portanto, é um traço forte de nossa história diocesana e caracteriza o rosto de nossa Diocese. b) Pastoral Catequética A história da Prelazia e da Diocese de São Luís de Montes Belos está profundamente ligada à catequese. Foi, é, e sempre será a preocupação dos bispos. Já em 1962 foi criado o Centro Social Catequético. Sempre houve um assessor ligado a essa dimensão pastoral. Foram produzidos materiais de catequese, realizados cursos de formação de catequistas e cursos de cantos. Com a chegada de Dom Rubens, a catequese foi reassumida com mais vigor , mas sempre procurando acompanhar as orientações da Igreja no Brasil. Grandes mudanças aconteceram a partir do Documento 26 da CNBB: “Catequese Renovada” do ano de 1983,e a partir da Primeira Semana Brasileira de Catequese (1986) que forneceram muitos e valiosos subsídios. A Diocese, através da coordenação diocesana, não perdeu tempo. Trouxe o que havia de melhor , favorecendo a vinda de grandes nomes da catequese para contribuir com a formação dos catequistas (Ir. Inês Broshuis, Pe. Juventino Kestering, Pe. Domingo Dorigon, Pe. Sérgio Francisco do Vale). O grande avanço foi a inculturação da catequese, fazendo a ligação entre a fé e a vida, através da vivência comunitária. O trabalho catequético sempre foi prioridade em nossa Diocese de São Luís de Montes Belos. A formação dos catequistas sempre foi um grande desafio que está sendo levado adiante. O sonho é aquele de formar catequistas como discípulos e missionários capazes de “dar a razão da própria esperança”, conhecedores da doutrina cristã e imbuídos da espiritualidade do seguimento de Jesus. c) As Pastorais Sociais Desde os tempos da Prelazia houve esforço para organizar a ação social em nossa Diocese. Inicialmente esse trabalho foi levado à frente pelas Irmãs Passionistas Holandesas que organizaram o serviço da caridade, sobretudo com inúmeras creches em várias paróquias. Mas com o tempo, o social exigiu aberturas para outras frentes de serviço desafiadoras. Manifestou-se a urgência em conscientizar e ajudar a criar os Sindicatos como instrumentos de defesa da classe trabalhadora. Na Diocese os trabalhadores rurais sem-terra estavam carentes de apoio. A Reforma Agrária se tornou um desafio e precisava de apoio e orientação. Apareceram os acampamentos e assentamentos, o MST e a CPT. O acompanhamento da Diocese para a dimensão social sempre foi desafiador. De um lado, a Diocese sempre buscou ser uma presença profética e caritativa através de suas diversas pastorais sociais (Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral Carcerária, Pastoral dos Migrantes, Vicentinos, etc.). De outro lado, sempre enfrentou o desafio da separação entre a fé e a vida, a tendência cultural para o fechamento e para espiritualidades descompromissadas com o social. Ainda hoje é difícil encontrar recursos humanos disponíveis para o enfrentamento social. Esses são alguns aspectos históricos, culturais, religiosos, sociais, econômicos e pastorais que de certa forma contribuem para formar o “rosto” da igreja particular de São Luís de Montes Belos. Essa é a nossa Igreja, povo de Deus ao qual pertencemos, queremos conhecer e amar. É nesse espaço (geográfico, cultural, social, religioso, etc.) com todas as suas conquistas e belezas, mas também com suas deficiências e mazelas que o dom de Deus chegou até nós e provoca-nos para a conversão, comunhão, participação e solidariedade.
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