AOS MEMBROS DO”GRUPO REDENÇÃO”

AOS MEMBROS DO”GRUPO REDENÇÃO”

Caríssimos Irmãos e Irmãs do “Grupo Redenção”!

Os acontecimentos destas últimas semanas, que são de conhecimento público, revelaram alguns aspectos de cunho teológico que devem ser enfrentados não pela justiça — que está fazendo o seu trabalho de investigação — mas pelo Bispo que é chamado a concretizar o que Paulo escreve a Timóteo: “Repele as questões insensatas e não educativas. Tu sabes que elas geram brigas…” (2 Tim 2, 23).

E o mesmo Paulo adverte que nos últimos tempos haverá quem guardará as aparências da piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Afasta-te também destes” (2 Tim 3, 5).

Portanto, diante de aberrações é dever do pastor “proclamar a Palavra, insistir, no tempo oportuno e não oportuno, refutar, ameaçar, exortar com toda paciência e doutrina” (2 Tim 4, 2).

É aquilo que desejo fazer, de forma coloquial com vocês, queridos Membros do Grupo Redenção, que ao longo destes anos receberam doutrinas ambíguas e até falsas. Ainda é tempo para abandonar a loucura e insensatez e ser membros vivos da Igreja que sempre foi, é e será “uma, santa, católica e apostólica”.

 

ALGUNS QUESTIONAMENTOS

Foram veiculadas nestes anos ideias estranhas e erradas que não podemos continuar a ignorar. Por causa disso proibi ao Sr. José Araujo  Filho, de Paracatu, operar no meio de nós (carta do Bispo Dom Carmelo Scampa ao Padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira, de 22 de julho de 2012).

  1. Foi pregado publicamente na Igreja de Americano do Brasil não houve correção por parte do Padre Iran Rodrigo — que “não existe ressurreição, mas sim Redenção”, O que de fato se entende com isso é difícil saber. Os participantes do grupo são os redentores. E a própria estruturação do grupo gira ao redor dessa convicção.
  2. Algumas pessoas foram escolhidas para ser apostolas, representar o evangelho, a castidade etc. e agregar ao redor de si outras pessoas. No meio do grupo há também pessoas consagradas. Quer dizer se tentou uma estruturação paralela de hierarquia, de santos, de declarações “dogmáticas” totalmente na contra mão do que ensina a Igreja católica, muito em sintonia com as crenças espiritas, inclusive dizendo de falar com os mortos, transmitindo recados deles a familiares, espalhando medo etc.
  3. Há uma pessoa, leiga, mentor e fundador de tudo, que se diz ordenada por Deus”. Esta pessoa é o sr. José Araujo Filho que nos autos processuais é conhecido como “Dom José.” Ele afirma que enquanto os padres são ordenados por um homem — que seria o bispo — ele foi ordenado diretamente por Deus. Portanto, tem autoridade e poderes superiores à hierarquia da Igreja.
  4. Com muita destreza os líderes do grupo Redenção afirmam serem portadores de dons de cura dados por Deus e que esses dons vão além da Igreja”, ignorando que os carismas e os dons devem ser ‘reconhecidos pela Igreja (Lumem Gentium n. 12) e são para o bem comum, não para cometer barbaridades de toda natureza. Eles têm consciência que o pensamento da Igreja católica é outro, mesmo assim, não acatam com determinação a posição da Igreja.
  5. Dizem ao povo simples que eles preveem o futuro ( “Dom José” é conhecido como “O Profeta”) e tudo o que afirmam tem a aprovação divina, criando um enorme confusão na cabeça dos mais desprevenidos. Consequentemente criaram no povo uma atitude de medo e para ameaçar, sobretudo quem discorda e poderia falar, usam fatos onde querem passar a ideia do castigo divino. Por exemplo, nestes dias veio a tona a chacina de Doverlândia e a consequente queda do helicóptero onde estavam os investigadores da chacina que acabou vitimando 14 pessoas. A finalidade deste tipo de ameaça é fazer calar o povo que quer conversar com o Bispo para revelar os podres que estão por trás. Isso pude ler no WhatsApp que por gentileza o Promotor de Justiça me mostrou, escrito poucos dias antes da prisão do Padre: “Virá em sua casa o bispo…não é para falar…. é a última chance de salvação que lhe dou”.
  6. Misturam-se na vida real, magia, religiosidade, imoralidades que assustam e vieram a tona nestes dias porque publicadas na imprensa, caso contrário ninguém de nós podia imaginar o que estava acontecendo. Tal maneira de se comportar fere a “sã doutrina” e a dignidade da pessoa humana em geral, mas, sobretudo, aquelas já fragilizadas por diferentes problemas. A Igreja Católica nunca ensinou a cura pelo toque, nunca mandou praticar curas que levam a pessoa humana aos piores constrangimentos como, por exemplo, se ver totalmente despidas diante de um padre etc.
  7. Há toda uma série de questionamentos que, por deveres de ética não elenco, mas que preocupam. Não me omito, porém, em questionar o uso do dinheiro; o favorecimento da teoria do milagre fácil, frequente e matematicamente garantido pelo “poder” de um  padre; o desvio e afastamento do único Salvador para seguir pessoas chamadas de carismáticas, mas que na realidade não são. “É dos frutos que se reconhece a arvore”, assevera o Evangelho.
  8. Por causa da “lavagem cerebral” que se fez até pessoas esclarecidas chegaram a contestar o bispo, dando a intender que existe uma hierarquia paralela mais valida e sólida, uma Igreja paralela mais certa e ai por adiante.

Outros problemas mais delicados que se referem à moral sexual, ao uso da confissão, tornada muitas vezes verdadeira sessão de tortura, com perguntas improprias e horas de duração, sobretudo com as mulheres, prefiro não abordá-los por aqui porque, em parte, são de conhecimento público. É preciso parar, refletir, decidir de que lado se quer ficar.

POSIÇÃO DA IGREJA DE SÃO LUIS DE MONTES BELOS

Embora saiba que o Grupo Redenção não existe somente na Diocese de São Luís, quero dizer, com muita firmeza, aos nossos diocesanos, o seguinte:

  1. O grupo deve se desfazer imediatamente na diocese de São Luís de Montes Belos.
  2. Não aprovamos ideias e práticas que são ensinadas e realizadas pelos líderes.
  3. Os presbíteros onde o grupo é vivo — sobretudo em Doverlândia, Adelândia, Americano do Brasil e de maneira mais reduzida em outras paróquias façam um trabalho minucioso de catequese e desintoxicação. O povo simples não é culpado da maluquice de alguns de seus líderes.
  4. Parem de “pagar o dizimo” para ‘O grupo da Redenção desviando as responsabilidades e deveres que se tem com a própria paróquia. Com o dinheiro arrecadado o grupo comprou uma casa grande em Caldas Novas, onde vários se encontram e lá acontecem “curas”, santificação etc. O Bispo diocesano proibiu ao Padre Rodrigo as Missas de Cura (Carta de 22 de agosto de 2010) mas a proibição não foi respeitada, dando a estas missas outros nomes (missas de ação de graças etc) .
  5. A Diocese de São Luís de Montes Belos respeita, apoia e colabora com as investigações judiciais em curso. No mesmo tempo instaurou uma Comissão de Investigação Prévia para apurar os fatos denunciados, Logo que o trabalho será terminado (não podemos superar a metade de novembro) encaminharemos à Santa Sé os resultados. Será da Congregação da Doutrina da Fé que dará a sentença.

Queridos Irmãos e Irmãs, não podemos sustentar a corrupção dentro da Igreja e a fé inconsistente (2 Tim 3, 8).

Não podemos ter medo de romper com laços que se criaram no grupo até o ponto de se auto defender a qualquer custo; fazer resistência ao Bispo Diocesano ou à própria Igreja; criar divisões gravíssimas dentro da própria família e da comunidade paroquial.

Pessoalmente não tenho informações mais detalhadas para poder alertar com mais foça a todos. Mas o que disse é o suficiente para dar um “basta” à experiência que se iniciou. Afirmo com toda certeza: pelo Grupo da Redenção, não se adquire salvação nenhuma, muito pelo contrário. Sendo que a maioria agiu em boa fé — assim acredito – se volte ao que é certo e é ensinado pela doutrina da Igreja.

 

São Luís de Montes Belos, 08 de setembro de 2017

 

ass

Dom Carmelo Scampa

Bispo de São Luís de Montes Belos