Iniciando a Quaresma

Caríssimos Irmãos e Irmãs, o tempo da Quaresma chegou e, decididamente, somos convidados a caminhar rumo à Páscoa, preparando o mistério mais profundo da nossa vida: a morte e ressurreição de Jesus, fonte e ponto mais alto de toda a vida cristã.
São simples e bonitas as orientações que a liturgia oferece para viver positivamente o tempo quaresmal: ORAÇÃO, ESMOLA, JEJUM.
1. A oração nada mais é que a redescoberta da relação filial, instalando com Deus uma familiaridade íntima, feita de escuta e diálogo. Quando Deus é Deus, se torna espontâneo procurá-lo, ouvi-lo, estar com ele. O tempo da Quaresma é tempo forte para isso, tempo para intensificar a oração pessoal, a oração em família e a oração na comunidade cristã, participando das numerosas propostas que cada paróquia faz neste período.
O Evangelho valoriza muito a oração íntima, que se dá no profundo do coração e que somente Deus vê.
2. A Esmola é também uma pista importantíssima a ser praticada, sinal de conversão, de gratuidade e de partilha. Quem sabe abrir os olhos percebe a urgência disso: quantas pessoas necessitadas ao nosso redor! A esmola não se esgota somente em dar um dinheiro ao pobre, mas é dar o que nós temos de nós mesmos ao outro. Terminamos, faz pouco tempo, o Ano da Misericórdia em que nos foram lembradas as sete obras de misericórdia corporal e as sete obra de misericórdia espiritual. Praticar a esmola significa partilhar gratuitamente com o outro que precisa o que temos e o que somos. Quem não sofre de miopia espiritual percebe onde estão as urgências mais sérias a serem enfrentadas.
3. O Jejum é também uma proposta bíblica oferecida a todos. Não seria bom reduzir o jejum a simples abstenção de alimentos. A Igreja nos obriga a isso somente na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Quantas possibilidades para jejuar temos! Renunciando ou disciplinando melhor o uso dos meios de comunicação, por exemplo, controlando a língua, adquirindo uma praxe de vida mais silenciosa e menos barulhenta! Nossa fantasia é criativa e podemos fazer as escolhas que mais nos ajudam a deixar de lado tudo aquilo que atrapalha.
Naturalmente será acompanhando cada dia das propostas bíblicas, sobretudo da Missa, a partir das quais poderemos adquirir as pistas necessárias para viver intensamente a Quaresma.
Não esqueçamos também que a Igreja no Brasil cada ano nos apresenta um tema para ser meditado, estudado e encaminhado. Neste ano a Campanha da Fraternidade convida a considerar “os Biomas brasileiros e a defesa da vida”.
Cultivar e guardar a criação é nossa responsabilidade (Gn 2, 15). Convido cada comunidade, grupo, pastoral, movimento presente na Diocese a estudar o Texto-base da Campanha da Fraternidade 2017, seguindo as orientações claras que a CNBB nos oferece.
A conversão passa através de ações concretas e sociais que não podemos colocar em segundo lugar.

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