Sejamos atletas

 

            As Olimpíadas estão acontecendo em nosso país e, entre pontos positivos e negativos, devemos nos alegrar e buscar tirar um aprendizado, uma lição ou uma inspiração de tudo isso. Hoje, busquemos alguns pontos que possam mostrar a relação que existe entre a vida de fé do vocacionado com a de um atleta olímpico. Nós, jovens vocacionados, devemos ser verdadeiros atletas, como nos apresentou e recordamos o Texto Base da OSIB Nacional de janeiro de 2014: “Corramos com perseverança, com os olhos fixos em Jesus” (Hb 12, 1-2).

            O que temos que entender por primeiro é que todos nós somos vocacionados. Não são só os padres e as freiras. Todos nós somos chamados por Deus à vida, e, pelo batismo, chamados à santidade. Eis uma questão que muitas e muitas vezes se esclarece, mas se perde em meio a uma enxurrada de “coisas que temos para fazer e saber”. Acontece que, constantemente, nós, jovens, somos bombardeados por uma série de informações, imagens e ideias que muitas vezes mais atrapalham que ajudam. E é fundamental para um bom atleta se afastar, deixar de lado tudo aquilo que o atrapalha, – para nós que buscamos a santidade – sobretudo o pecado.

            Perseverança é uma prerrogativa na vida de um atleta. Não há atleta que chegue ao ouro sem perseverança. Não há santo que chegue ao céu sem perseverança. Não há vocacionado que consiga viver um frutuoso discipulado sem perseverança. Não podemos ser jovens que se deixam levar por qualquer sopro de modismo. Não podemos ser jovens fracos que desistem na metade do caminho e se dão por vencidos. Jesus, nosso Mestre e Senhor, nos chama a partir para a batalha desejosos de vencer, com os olhos fixos n’Ele. “Corramos com perseverança, com os olhos fixos em Jesus” (Cf. Hb 12,1-2). Ele é a nossa motivação maior para perseverar na vocação, buscar a santidade de vida e amar.

            O amor é a raiz da santidade, que primeiro se dirige ao Pai, e, consequentemente, no Filho, se estende a todas as pessoas, nossos irmãos. Ou seja, precisamos aprender a amar Jesus. Uma boa perspectiva talvez seja aprender a amar o Caminho, a Verdade e a Vida. Amar o Caminho é acolher com gratidão as dores, as decepções, o cansaço, o suor, as lágrimas, as fadigas… as paisagens, os ambientes, os nasceres e os pores do sol, a companhia… Afinal, Jesus abraçou sua cruz e “aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu” (Hb 5,8) e entregou-se por amor.

            Amar a Verdade é mergulhar na essência da vocação. É abraçar a verdade da Revelação que se deu em Jesus Cristo, Filho único de Deus, nascido da Virgem Maria. É mergulhar no mistério de um Deus que se fez homem, semelhante em tudo a nós, seus irmãos (Cf. Hb 2,17), e, por isso, “tendo ele próprio sofrido ao ser provado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a provação” (Hb 2,18). E amar a Vida é abrir-se à plenitude do que há de mais puro no primeiro chamado de Deus a nós. É entender que Deus não nos chamou à vida por acaso ou sem um propósito. É entender, como nos lembra o Papa Francisco, que “vocações são dons da misericórdia Divina”.

Meus irmãos, saibamos que na dinâmica da vocação o protagonista é sempre Deus, que chama, em vista de uma necessidade específica do seu povo, para o qual Ele sempre volta o seu olhar. E o vocacionado, finalmente, é aquele que responde a esse chamado. Por tudo isso, aos vocacionados do Senhor: sejamos santos atletas! Cresçamos na intimidade com aquele que nos chamou. Tenhamos a coragem de assumir nossos limites, mas sejamos ousados o suficiente para superá-los com perseverança, alegria e fé. Aceitemos, com Jesus, os aspectos dolorosos e difíceis da existência humana, e saboreemos com Ele a alegria da vitória e o ouro de uma vida bem vivida.

O céu não está distante de nós, mas precisamos querer, desejar, sonhar e trabalhar por ele. Movimente-se e veja Deus agindo na sua vida, nos seus músculos, pensamentos e sentimentos. Acolha a alegria de ser um escolhido de Deus para algo maior que nós mesmos. E, de modo especial, aos vocacionados ao Sacerdócio, sejamos conscientes de que se trata de um chamado radical de união com Jesus Cristo. “Ninguém – disse o papa Emérito Bento XVI – se faz sacerdote por si mesmo; só Deus me pode atrair, pode autorizar-me, pode induzir-me à participação no mistério de Cristo; só Deus pode entrar na minha vida e pegar-me pela mão”. Assim, em comparação aos que correm no estádio, corramos, nós vocacionados, de maneira a conseguirmos nosso prêmio. “Os atletas se abstêm de tudo; eles, para ganharem uma coroa perecível; nós, porém, para ganharmos uma coroa imperecível” (ICor 9,25).

 

 

laurito